Prever como será o setor ferroviário daqui a cinco anos não consiste em adivinhar qual será a tecnologia do momento. Também não existe uma única fonte capaz de fornecer essa resposta.
Para uma empresa de engenharia, antecipar as tendências do setor ferroviário significa observar vários sinais diferentes em simultâneo.
As tendências do setor ferroviário não surgem de um dia para o outro
Quando uma nova tecnologia chega ao mercado, normalmente já leva anos em desenvolvimento. Antes de se tornar uma solução consolidada, passa por diferentes etapas: investigação, testes, projetos iniciais, validação e, finalmente, implementação em maior escala.
Por isso, identificar uma tendência numa fase inicial exige observar aquilo que ainda não é predominante. Pode tratar-se de uma tecnologia que começa a surgir em novos projetos, de uma necessidade que se repete entre diferentes operadores ou de um problema que vários fabricantes estão a tentar resolver de formas semelhantes.
A tecnologia é apenas uma parte da equação
Falar sobre tendências ferroviárias conduz frequentemente a conceitos como inteligência artificial, automação, digitalização ou conectividade. Mas uma tecnologia não se torna automaticamente uma tendência relevante apenas porque é tecnicamente interessante. Também tem de responder a um problema real.
Por exemplo, os sensores podem fornecer enormes quantidades de informação, mas o seu valor depende da capacidade de utilizar esses dados para melhorar a manutenção, detetar anomalias ou tomar melhores decisões.
O mesmo se aplica à inteligência artificial. O seu desenvolvimento pode abrir novas possibilidades para a análise de dados ou a monitorização de sistemas, mas a sua integração no setor ferroviário deve ter em conta fatores como a segurança, a validação, a rastreabilidade e a regulamentação aplicável.
A questão importante não é apenas o que pode fazer uma tecnologia?, mas para que pode realmente ser utilizada num comboio?
Ouvir quem está a conceber o futuro do setor ferroviário
Uma conversa com um fabricante pode revelar quais são os problemas que as suas equipas de engenharia estão a tentar resolver. Por isso, manter um contacto contínuo com fabricantes, operadores, integradores e outros profissionais do setor é uma parte importante do acompanhamento tecnológico.
Cada conversa fornece uma peça diferente do puzzle. E quando essas peças começam a formar um padrão, torna-se mais fácil compreender para onde o mercado está a caminhar.
A regulamentação também pode antecipar mudanças
Outro sinal que pode facilmente passar despercebido é a evolução regulamentar.
Novos requisitos relacionados com segurança, interoperabilidade, cibersegurança ou sustentabilidade não surgem de um dia para o outro. O seu desenvolvimento pode indicar em que direção o setor terá de evoluir.
Que papel desempenha a InnoTrans?
E, naturalmente, os grandes eventos internacionais do setor ferroviário são também uma parte importante deste processo.
Por exemplo, a InnoTrans reúne em Berlim fabricantes, operadores, empresas de tecnologia, empresas de engenharia e profissionais de praticamente todas as áreas relacionadas com a mobilidade ferroviária.
Estar presente permite-nos observar quais são os temas que estão a captar a atenção do setor, quais as tecnologias que surgem de forma recorrente, quais as soluções que começam a ser implementadas e, sobretudo, ouvir diretamente as pessoas que estão a trabalhar nos projetos que irão moldar o setor ferroviário nos próximos anos.
Para a Triple E, participar nestes eventos faz parte do nosso acompanhamento contínuo do setor. Nem sempre é necessário apresentar algo novo para tirar partido de um evento. Também é importante ouvir, fazer perguntas, comparar perspetivas e regressar com uma visão mais ampla do que está a acontecer em toda a indústria.
Na engenharia ferroviária, antecipar a mudança significa estar suficientemente próximo do setor para a detetar enquanto acontece. A tecnologia, a regulamentação, as necessidades dos clientes, a experiência adquirida nos projetos e o contacto direto com a indústria fazem todos parte dessa perspetiva.










